(NR-35) 10 ELEMENTOS BÁSICOS EM PROTEÇÃO DE QUEDAS

Terça, 01 Março 2016 21:13
Avalie este item
(6 votos)

Um dos fatores stressantes relatados pelos trabalhadores é o uso do próprio EPI (“o epi atrapalha”, “incomoda”, “dá dor de cabeça”, “incham os pés”, “dá cãimbra”, “eu não preciso de epi, já estou acostumado sem ele”, são frases ouvidas de trabalhadores). Assim, é preciso reduzir não só o stress produzido pelo trabalho mas pelo próprio uso do EPI.









GESTÃO DE RISCOS

Gerenciar riscos é uma das tarefas mais complexas em SST. De uma forma ou de outra, todas as abordagens visando a segurança no trabalho obrigatoriamente desembocam na gestão de riscos. O artigo abaixo, um dos primeiros publicados no site OHS on line por um especialista na área (traduzida pelo Prof. Samuel Gueiros) este mês, aborda essa questão na perspectiva do trabalho em altura. Os dez elementos citados por David Lough sem dúvida podem ser aplicados à maioria das situações enfrentadas pelos profissionais do SESMT.

 Cada um dos elementos abaixo sobre proteção
de quedas deve ser do domínio do trabalhador.


Diariamente em todo o mundo trabalhadores são colocados em situações de trabalho em altura. A qualquer momento um trabalhador fica perto de um desnível, escala uma torre, acessa um telhado ou pega um elevador, situações onde há um inerente risco de queda.

Durante os últimos 20 anos, a indústria de proteção de quedas teve um crescimento rápido no mesmo ritmo em que pequenas indústrias foram absorvidas por grandes corporações e assim a proteção de quedas vem se tornando um grande negócio. Com esse crescimento, cresceram tambem a legislação e os parâmetros e dessa forma grandes avanços ocorreram relativamente ao desenho dos equipamentos para proteção contra quedas, assim como a qualidade e a performance. Entretanto, a despeito desses avanços na indústria, trabalhadores contrinuam sofrendo lesões ou morrendo todo ano devido a quedas de altura.

Para muita gente, parece que uma forte ancoragem, meios apropriados de conexão e cintos, não deveria haver mais mortes, e apenas pequenas lesões resultariam de quedas de altura, certo?

Infelizmente, o cenário mais comum é ver um trabalhador estendido no chão depois de uma queda portando um simpático novo cinto e anel, mais do que nada. Porque isto? Nós temos a tecnologia, o equipamento e a proteção contra quedas, como um todo não é difícil de entender.

Portanto, o que é básico em proteção de quedas? Esta questão pode ser respondida de diferentes maneiras, dependendo da pessoa com quem você esteja falando. Entretanto, quando eu pergunto essa questão bastante familiar àqueles que conhecem o assunto, muitas das respostas eram bastante consistentes – embora nenhum dos conceitos seja nada de extraordinário ou de novas idéias, mas constituem o que é básico em conceitos de proteção de quedas. Infelizmente, nem todos os aspectos de proteção de quedas podem ser aplicáveis para cada cenário a qualquer tempo. Com isto em mente, listamos abaixo o que constitui os 10 elementos básicos para uma bem sucedida proteção de quedas, como ferramenta de referência rápida.

1. TREINAMENTO E EDUCAÇÃO

Embora isso pareça ser um princípio geral, treinamento e educação são fundamentais e básicos de tudo o que deve ser entendido para segurança em altura. Tipicamente a causa de acidentes relacionados a queda está diretamente influenciada por ausência ou limites no treinamento que a vítima tenha recebido.

Parece que o foco recai na função do equipamento e assim os trabalhadores ou estão esquecendo ou nunca foram treinados ou educados sobre os princípios básicos de proteção de quedas.

A chave para entender o trabalho em altura é saber quanto de treinamento prático e educação é necessário para uma pessoa retornar ao solo de forma segura. Em primeiro lugar, saber se o teste de demonstração de queda executado por um especialista de vendas da empresa que fabrica os equipamentos pode ser considerado um treinamento adequado ou o trabalhador teria que ter 40 horas de treinamento em uma sala de aula apropriada com testes e exercícios de proficiência. Isto seria, é claro, um equilíbrio que levaria em conta as tarefas e riscos para os quais os trabalhadores  seriam expostos bem como quanto tempo é gasto no trabalho em altura, sendo portanto vital para a segurança dos trabalhadores.

2. IDENTIFICAÇÃO DE RISCOS

Esta pode ser a mais importante consideração quando lidamos com qualquer matéria ligada à segurança. Se o risco não é propriamente identificado, então qual será o plano para neutralizá-lo?

O usuário final terá que estar apto para identificar o risco de queda de forma apropriada, o que, na maioria dos casos estará praticamente evidente. Entretanto, existem situações em que isto não está muito claro; e pode continuar desapercebido; ou, o que é pior, há um elemento de complacência que fica sendo incorporado através dos anos quando se faz o mesmo trabalho do mesmo jeito. Por outro lado, a habilidade de realizar a tarefa naquele momento de reconhecimento do risco fica obscurecida pelo medo de que o sistema de resgate irá tornar a tarefa mais difícil, ou então que a tarefa vai ficar mais demorada, ou um sistema simplesmente nunca será usado para realizar a tarefa, ou seja, não será necessário. Todas esses 3 pressupostos podem ter consequências catastróficas.

3. HIERARQUIA DE CONTROLES

Uma vez que o risco tenha sido identificado, a habilidade para encontrar uma solução adequada e confiável para o risco que seja fácil de utilizar, efetiva, e que tenha um custo apropriado parece fazer parte do senso comum. Mas uma vez que esteja ausente uma hierarquia de controles em ordem – engenharia de exclusão do risco; proteção tradicional para quedas; sistemas de contenção de quedas; ao lado de características específicas para o trabalho – é muito comum acabar levando a reações instintivas, o que resulta em sistemas inadequados ou a instalação de um sistema abaixo dos parâmetros.

Isto ocasiona desperdício de tempo e dinheiro. Geralmente ou um sistema é instalado que posteriormente é reposto, ou o usuário não utiliza o sistema porque ele não é amigável.

4. ENERGIA

Proteção de quedas tem tudo a ver com enegia. A energia gerada em uma queda precisa ser distribuída de tal forma que não irá anular a ancoragem ou provocar lesão no trabalhador. Trabalhadores precisam saber as limitações do sistema de forma a que não se exceda a quantidade máxima de energia que possa ser distribuída através de seus componentes.

Energia em excesso pode levar à destruição das ancoragens, falha de conexões, desenvolvimento de energia extra absorvida pelo sistema e potencialmente uma lesão devastadora para o usuário final. Só existem duas forma de que essa energia seja reduzida durante uma queda: primeiro, pela redução do peso da queda, e segundo, pela redução da distancia da queda. Nenhum desses fatores deve ser excedido. Exceder esses fatores cria uma situação onde a performance do sistema não pode ser prevista.

5. INSPEÇÃO APROPRIADA DE EQUIPAMENTO

Equipamento de proteção de queda deve ser inspecionada antes de cada uso assim como sofrer uma inspeção anual desenvolvida por alguem diferente do usuário final do equipamento. Além disso, as inspeções devem ser documentadas em um prontuário, para uma referência em uma data posterior, caso seja necessário.

Claro que os fabircantes e a legislação ultimamente tem determinado a qual intervalo um equipamento de resgate deve ser ijnpsecionado, mas dependendo da frequência de uso e o ambiente, aumento do número de inspeções pode ser necessário. As instruções de fabricantes e regulamentos sempre devem ser consideradas como o mínimo a ser observado. Consequências fatais geralmente ocorrem como resultado do usuário final preferir utuilizar uma peça de equipamento que está fora dos padrões ou que deve ser removida de serviço, apenas porque ele se sente confortável utilizando-o.

6. CONEXÕES COMPATÍVEIS

Muitas pessoas acreditam que eles sabem lidar com isso. Entretanto, muitas falhas documentadas de sistemas podem ser diretamente relacionados com falhas nas conexões por mal uso ou uso para uma finalidade para a qual a conexão não estava indicada ou para uma situação não testada.

Novos parâmetros aumentaram a resistência dos engates e correntes, em um esforço para combater essas falhas. Isto não significa que esses dispositivos sejam inquebráveis. Com alavancamento apropriado e energia suficiente, qualquer coisa pode ser quebrada.

A única forma para combater de verdade o problema é educar o trabalhador e assegurar que ele entende a diferença entre conexões compatíveis e incompatíveis. Ao fazer isto, o trabalhador pode reconhecer problemas de compatibilidade e desenvolver ações corretivas que assegurem a segurança.

7. FLEXIBILIDADE DA ANCORAGEM

Esta é provavelmente a característica mais importante quando se olha a compatibilidade de conexões. Se a ancoragem é flexível, então em muitos casos durante uma queda, o sistema irá se alinhar ela própria em uma configuração adequada, mesmo se o sistema não for geometricamente desejável. Veja o exemplo de um grande gancho metálico em um pequeno ponto de ancoragem: é a flexibilidade da ancoragem que irá prevenir a ocorrência de uma alavancagem.

8. DESOBSTRUÇÃO

A mais básica premissa sobre proteção de quedas é a desobstrução. Não deve haver nenhum ponto ou que o sistema seja utilizado que permita alguem bater no solo se uma queda vir a ocorrer. Isto pode ser facilmente observado em muitas construções residenciais. O trabalhador tem um cabo de segurança vertical em que não há necessidade de ajustes e este ajuste irá permitir ao trabalhador cair sobre o desnível ou do teto e atingir o solo se ele cair.

9. ANCORAGEM

Para resgate de quedas e sistemas de contenção uma ancoragem de adequada resistencia que seja compatível com o sistema de resgate em uso é sempre necessária. Em muito casos ancoragens são instaladas em materiais frágeis e podem não satisfazer os requerimentos de engenharia. Muitos usuários não são engenheiros e não entendem que justamente devido à ancoragem ser desenhada para uma determinada resistencia, isto não significa que esta escala seja atingida no substrato em que ela será conectada.

10. COLOCAÇÃO DA PROTEÇÃO

Colocação apropriada do cinto trava-quedas e do talabarte é fundamental para a proteção do usuário. Muitos trabalhadores não sabem vesti-lo de forma adequada; isto poderá ser devastador em caso de uma queda e criará lesões que de outra forma poderia ser facilmente evitáveis. Vestir-se e realizar os ajustes irão proteger o trabalhador durante a queda e após a queda, e é muito importante devido à espera antes que um resgate possa ocorrer.

CONCLUSÃO

A ordem na qual nós colocamos essas idéias básicas a respeito de proteção de quedas pode ser colocada de várias maneiras e argumentos válidos podem ser mencionados para cada uma dessas configurações. Portanto, a ordem pode não ser importante quando a concordância de que esses princípios básicos são prioridades. É importante lembrar que em função do tempo e do tipo de acidente presentes em uma indústria, a ordem e importancia desses elementos básicos sobre proteção de quedas poderão mudar. O que não muda é o fato de que é essencial para a segurança para aqueles que trabalham em altura é que cada um desses princípios básicos seja do domínio do trabalhador, do usuário final.

Esses tópicos, ao lado de outros variados e importantes aspectos de proteção de quedas, precisam ser registrados, entendidos e refinados para as específicas necessidades do usuário, de forma a que seja o mais efetivo e confiável.

David Lough, é especialista por mais de 17 anos em consultoria e treinamento em sistemas de proteção de quedas.



Veja também um ótimo Roteiro para trabalho em Altura:

 

pptxdownload

 

 

pptxdownload

 

 

Lido 3897 vezes Última modificação em Sábado, 05 Março 2016 10:25

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

Redator

(NRS 10, 12, 18, 31 E 33) ATMOSFERAS EXPLOSIVAS
NR-35: TREINAMENTO TEÓRICO E PRÁTICO
GUIA DE ANÁLISES ACIDENTE DE TRABALHO
INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE CORDAS DE SEGURANÇA
SEGURANÇA E UTILIZAÇÃO DE ABRASIVOS
O QUE VOCÊ ESPERA DA EMPRESA?
NR-20: AS 3 CLASSES DE INSTALAÇÕES
ABC DO TRABALHO EM EMBARCAÇÕES
MOTOBOY: CARTILHA PARA PREVENÇÃO DE ACIDENTES NO TRANSITO
GLOSSÁRIO DO INCÊNDIO
SALÁRIO DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA: VEJA PORQUE É BAIXO
(NR-35) 10 ELEMENTOS BÁSICOS EM PROTEÇÃO DE QUEDAS
50 TONS DE SEGURANÇA NO TRABALHO
CONFIRA AS PRINCIPAIS DÚVIDAS E RESPOSTAS SOBRE A NR-17
SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHADOR (SST) NAS SUBCONTRATAÇÕES: QUESTÕES ATUAIS
SEGURANÇA NA UTILIZAÇÃO DE ANDAIMES
CARTILHA PARA SEGURANÇA NO CANTEIRO DE OBRAS
O STRESS DO EPI
O QUE FAZER NO LOCAL APÓS UM ACIDENTE DE TRABALHO?
O PERIGO DO AMIANTO
LOBBY DO AMIANTO GASTA US$ 100 MILHÕES NO MUNDO
AMIANTO: PERGUNTAS E RESPOSTAS
RUÍDO AERONÁUTICO: IMPACTOS E PERSPECTIVAS ATUAIS
RUÍDO SOMADO À EXPOSIÇÃO A PRODUTOS QUÍMICOS PODE CAUSAR DANOS DEVASTADORES A AUDIÇÃO
CALOR EM AMBIENTE EXTERNO É INSALUBRE?
5 RECOMENDAÇÕES PARA QUEM TRABALHA EM PÉ
BERNARDINO RAMAZZINI - AS DOENÇAS DOS TRABALHADORES (2016)
(NR-9) NÍVEL DE AÇÃO: DEIXANDO SEU PPRA A PROVA DE BALA
OS 10 MANDAMENTOS DO SOCORRISTA
DECAPAGEM QUÍMICA
PROBLEMAS LIGADOS AO ÁLCOOL E AS DROGAS NA SEGURANÇA NO TRABALHO
PONTOS DE VERIFICAÇÃO ERGONÔMICA NA AGRICULTURA
CARTILHA LER-DORT
PREVENÇÃO DE EXPOSIÇÃO AO BENZENO NO BRASIL
DOCUMENTOS MÍNIMOS PARA ATENDIMENTO À NR-12
A BASE DE CÁLCULO DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE
INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE: PERGUNTAS E RESPOSTAS
COMO CALCULAR ADICIONAL DE INSALUBRIDADE
PARA NÃO ESQUECER: 9 MOTIVOS PARA VOCÊ SE PREOCUPAR COM A NOVA LEI DA TERCEIRIZAÇÃO
TRABALHO AEROPORTUÁRIO E PERICULOSIDADE
CÓDIGO DE ÉTICA DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO
Monografia: O DIREITO À PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE DO TRABALHO PORTUÁRIO
INSS: DIREITO DE REGRESSO EM AÇÕES ACIDENTÁRIAS
(NR-5 CIPA) CULPA E RISCO EM ACIDENTE DE TRABALHO
ANÁLISE DE ACIDENTES: O FIM DA CAT?
ANÁLISE DOS SINAIS PRECURSORES DO ACIDENTE DA P-34
DA MEDICINA DO TRABALHO À SAÚDE DO TRABALHADOR
VEJA COMO ATUALIZAR SEU SOFTWARE
15 DICAS QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE LINHAS DE VIDA
AFINAL, O QUE É TESTE CARGA?
AFINAL, PODE OU NÃO ILUMINÂNCIA NO PPRA?
SESMT: PERGUNTAS E RESPOSTAS (MTE - 2016)
PROTOCOLO DE SEGURANÇA NO TRABALHO NAS OBRAS DAS OLIMPÍADAS RIO 2016
E-SOCIAL: UMA NOVA ERA NAS RELAÇÕES ENTRE EMPREGADORES, EMPREGADOS E GOVERNO (POR FELIPE COSTA, TST)
MODELAGEM COMPUTACIONAL APLICADA PARA SEGURANÇA/PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS
TIPOS DE FERRAMENTAS MANUAIS
MTE: ESTRATÉGIA NACIONAL PARA REDUÇÃO DE ACIDENTES NO TRABALHO 2015-2016
GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHADOR
UTILIZANDO UMA MATRIZ DE RISCO
GESTÃO DE RISCO NA CONSTRUÇÃO CIVIL
A GESTÃO ESTRATÉGICA DA INFORMAÇÃO DE SAÚDE DO TRABALHADOR

Assine já e participe 

dos nossos grupos 

no Whats App!

Conheça profissionais 

de todo Brasil e tire

suas dúvidas!