COLEÇÕES NRFACIL: MÉTODOS COMPROVADOS PARA CONTROLE DE RUÍDOS

Quinta, 01 Junho 2017 03:30
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Mesmo com avanços significativos para permitir que os equipamentos sejam projetados
para produzirem níveis de ruído mais baixos, ainda há muitas atividades onde o ruído
é uma parte inerente do trabalho e onde não é possível removê-lo completamente
sem que resulte em um impacto significativo sobre a operação.

Este post é uma tradução de artigo publicado na OHS on line sendo útil
para uma revisão de conceitos e práticas sobre ruído e proteção contra o ruído.
A tradução  contextualiza ainda o assunto às principais NRs relacionadas.




Um dos principais aspectos no controle do ruído ocupacional é que a dosimetria pode ser necessária se os níveis de ruído do local de trabalho variam ao longo do dia ou se os trabalhadores são móveis, dirigindo veículos ou trabalhando em áreas onde ele é inseguro ou impraticável para que um medidor de nível de som seja usado.

Muitos de nós trabalhamos em ambientes onde o ruído é um perigo diario. Embora as mudanças nos padrões de trabalho e o uso de máquinas mais silenciosas e mais eficientes tenham reduzido os níveis de ruído nas últimas décadas, ainda é um risco ocupacional importante.

Estima-se que 22 milhões de trabalhadores nos Estados Unidos estejam expostos a níveis de ruído perigosos no local de trabalho. A cada ano estima-se que 600 milhões de reais sejam gastos anualmente na compensação dos trabalhadores devido a perda auditiva induzida pelo ruído.

Onde quer que haja ruído no local de trabalho, você deve procurar processos, equipamentos e/ou métodos de trabalho alternativos que tornem o trabalho mais silencioso ou garantam que as pessoas estejam expostas por períodos mais curtos, reduzindo o risco de os trabalhadores sofrerem danos à audição.

Controlar os riscos de ruído e as exposições devem se constituir o foco para concentrar esforços. Ao realizar uma avaliação de ruído, você pode identificar os riscos que seus trabalhadores estão sendo expostos e, em seguida criar um plano de ação para controlar essas exposições.


O QUE VOCÊ PRECISA MEDIR  

Antes de começar a implementar um programa de controle de ruído ou mesmo antes de começar a medir e avaliar os níveis de ruído, considere por um momento o que você está tentando alcançar.

Normalmente, você fará medições de ruído para conformidade com a legislação em SST.

Nota da Tradução: No Brasil a principal referência é o conjunto das  NRs (veja o exclusivo sistema de pesquisa de NRs no Remissivo do site e do software). As NRs principais relacionadas são as NR-7 PCMSO, NR-9 PPRA e a NR-15 INSALUBRIDADE. Então você deve considerar os requisitos desses regulamentos, verificando como você vai realizar essas medidas.

A NR-7 (PCMSO) estabelece mecanismos de ação para assegurar a saúde individual e coletiva no trabalho, a NR-9 (PPRA) configura critérios para a elaboração de um Programa de identificação e controle de riscos nos ambientes de trabalho e a NR-15 (Insalubridade) aponta o grau de insalubridade à exposição dos riscos e atribui ao trabalhador algum adicional. 


AVALIAR E COMPARAR

Primeiro, considere como os padrões exigem que a exposição ao ruído seja medida e relatada. Quase todas as regulações do ruído ocupacional exigem que as exposições sejam mensuradas em termos de média ponderada no tempo durante um dia útil normal. No entanto, pode haver variações sutis entre os padrões, o que pode resultar em diferenças dramáticas nos resultados reportados.

O limite de exposição permissível pelo órgão de pesquisa do Ministério do Trabalho americano (N.T.: NIOSH, uma espécie de Fundacentro) é de 90 dB (A) por uma jornada de 8 horas, e este padrão usa uma variação de 5dB. Recomenda-se que todas as exposições dos trabalhadores ao ruído sejam controladas abaixo de um nível equivalente a 85 dBA por oito horas e uma variação de 3 dB em oposição à 5dB exigida de acordo com o padrão do Ministério do Trabalho americano.

Compreender o que os regulamentos exigem e a forma como funciona o seu equipamento de medição é essencial para garantir que as informações que você reunir sejam corretas e robustas, caso contrário, existe o risco de obter e relatar informações erradas.

 



O QUE VOCÊ ESTÁ MEDINDO?

Antes de começar as medições de ruído, você deve ter claro se os níveis de ruído que você está prestes a gravar serão um registro real da exposição do trabalhador.

Em um cenário ideal, deveria ser feita uma avaliação contínua da exposição ao ruído pois isso permitiria que a variabilidade dos padrões de trabalho fosse avaliada durante um longo período. No entanto, para a maioria das pessoas isso não é prático e, portanto, é essencial que qualquer medida realizada seja representativa da exposição a longo prazo e possa ser usada como uma avaliação efetiva do risco.

Considere os pontos abaixo:

 

Você também deve considerar onde você fará as medições. A dosimetria do ruído pode ser necessária se os níveis de ruído do local de trabalho variam ao longo do dia ou se os trabalhadores são móveis, dirigindo veículos ou trabalhando em áreas onde ele é inseguro ou impraticável para que um medidor de nível de som seja usado.

Se você estiver usando um dosímetro de ruído, o microfone normalmente estará dentro de 12cm da orelha, mas você também deve considerar fazer medições em ambos os lados da cabeça se a fonte de ruído for predominantemente de uma direção.

Se você estiver usando um medidor de nível de som, pense cuidadosamente sobre onde o microfone está posicionado.

Não é incomum ver medições feitas com um medidor de nível de som, onde o microfone está a vários metros da orelha do trabalhador. Seria essa amostra representativa dos níveis de ruído recebidos na orelha? Caso contrário, pense em como isso pode ser melhorado e tente se aproximar do trabalhador. Os aspectos de segurança podem impedir isso (por exemplo, se você estiver medindo soldadores, pode não ser seguro chegar perto), então, se for esse o caso, certifique-se de documentar isso com seus resultados de medição.

 Ao registrar informações sobre a posição onde foram feitas, você poderá assegurar que qualquer medida de acompanhamento possa ser feita no mesmo local.

IMPLEMENTANDO UMA HIERARQUIA DE CONTROLES

Depois de ter realizado quaisquer medições de ruído e identificou os funcionários que estão expostos a níveis de ruído em ou acima dos limites legais, você deve olhar para quais são as formas mais eficazes para protegê-los.

Ao considerar a pirâmide da hierarquia dos controles, podemos observar cada etapa e determinar como eles podem ser usados. Veja abaixo um gráfico com a pirâmide invertida sendo colocado critérios de mais ou menos efetividade:

 

ELIMINAÇÃO DA FONTE DE RUÍDO

A proteção é melhor alcançada controlando o ruído na fonte e, portanto, a maneira mais eficaz de gerenciar as exposições ao ruído no local de trabalho é sempre a eliminação ou remoção das fontes que mais contribuem para a exposição global ao ruído.

O ruído é um aspecto comum de nossa vida útil e, embora tenham sido feitos avanços significativos para permitir que os equipamentos sejam projetados de forma a produzir níveis de ruido mais baixos, ainda há muitas atividades onde o ruído é uma parte inerente do trabalho e onde não é possível  remove-lo completamente.  Por exemplo, instalações de reciclagem de materiais geralmente possuem processos que emitem níveis de ruído muito altos que podem exceder freqüentemente 85dB (A). Esses processos são inerentemente ruidosos, portanto geralmente não é possível eliminar as fontes de ruído sem impacto significativo sobre a operação.

No entanto, a eliminação da fonte de ruído deve ser sempre a primeira ação a ser considerada.

SUBSTITUINDO A FONTE DE RUÍDO

Substituir o risco de ruído é o próximo passo em nossa hierarquia de controle. Considere se é possível fazer o trabalho de outra maneira mais silenciosa. Observe se as mudanças nas peças consumíveis (como lâminas de serra, válvulas de escape para ar comprimido, etc.) são possíveis e se a tecnologia mais nova permite níveis de ruído mais baixos.

A introdução de uma política de compras de baixo ruído, ou Buy Quiet (N.T. Compre Silencioso), pode ajudar a manter o objetivo de uma redução de longo prazo nos níveis de ruído.

Muitos fabricantes de equipamentos agora estão considerando baixos níveis de ruído como um recurso de marketing significativo e poderão fornecer informações sobre níveis de ruído típicos de seus produtos. Enquanto os métodos de teste utilizados forem comparáveis, o equipamento com níveis de ruído mais baixos seria preferível.

CONTROLES DE ENGENHARIA

O uso de controles de engenharia para reduzir os níveis de ruído muitas vezes pode fornecer a mais ampla gama de soluções, muitas das quais podem fornecer pequenas reduções, mas podem contribuir para mudanças significativas quando juntas.

Os controles de engenharia geralmente envolvem modificar, reparar ou substituir equipamentos ou fazer mudanças na fonte de ruído ou ao longo do caminho de transmissão para reduzir o nível de ruído no ouvido do trabalhador. Algumas dessas medidas podem ser coisas pequenas e simples, como garantir que a maquinaria seja lubrificada e mantida regularmente. Reparar guardas de máquinas soltas muitas vezes pode ser uma tarefa simples, mas que pode produzir resultados significativos.

Outros exemplos de controle de engenharia:


Também pode ser possível modificar os caminhos pelos quais
o ruído viaja pelo ar para as pessoas expostas por:


CONTROLES ADMINISTRATIVOS

Onde não é possível eliminar a fonte de ruído, substitua-a por uma versão de baixo ruído ou use métodos de engenharia para reduzir os níveis de ruído, sendo necessárias alterações nos padrões de trabalho para reduzir as exposições. Por exemplo, os disjuntores de concreto portáteis podem produzir níveis de ruído superiores a 95 dB (A) na orelha, e pode não ser possível reduzir os níveis de ruído quando este equipamento estiver funcionando.

Ao usar controles administrativos, a exposição do trabalhador ao uso do equipamento e de outros próximos pode ser reduzida.

Exemplos de controles administrativos incluem:


Não se esqueça que no espaço aberto, cada vez que a distância entre a fonte de ruído e o trabalhador dobra, o nível de ruído é reduzido em 6dB!



PROTEÇÃO AUDITIVA (EPI)

A maioria, se não todos, os padrões e regulamentos de ruído ocupacional consideram que o uso de EPI (Equipamento de proteção individual) é o último recurso que deve ser usado somente quando nenhuma das outras medidas de controle pode reduzir a níveis aceitáveis.

Pode ser apropriado usar EPI para gerenciar a exposição ao ruído enquanto outras medidas de controle estão sendo implementadas e onde é necessária proteção adicional para os trabalhadores cujos testes de audição mostram perda ou dano auditivo significativo.

Ao seguir a hierarquia dos controles, podemos trabalhar com as possíveis soluções para eliminar, remover ou reduzir as exposições ao ruído e, em última instância, proteger nossos funcionários contra o risco de danos auditivos.

 

NOTA DA TRADUÇÃO: CONEXÕES COM AS NRs

A seguir, vamos estabelecer algumas conexões do assunto deste POST às principais NRS, utilizando o recurso REMISSIVO, uma exclusiva ferramenta desenvolvida pela Equipe do NRFACIL para facilitar o acesso aos conteúdos de qualquer NR de forma rápida e sequencial (não é doc ou pdf). Abaixo, informações sobre como proceder para utilizar o Remissivo em qualquer NR.


Abaixo, as principais NRs associadas ao RUIDO:


Comecemos pela NR-6 que trata do EPI que é considerado o último recurso de proteção contra agentes de risco nos ambientes de trabalho, quando esgotados todos os recursos da hierarquia de controles já referido acima. Nesta NR há um título sobre as normas técnicas aplicaveis ao EPI e especificidades. Apresentamos uma parte  do Anexo. Entre na pasta da NR-6 no site para acessar todo o conteúdo do Anexo II.

 

Em seguida, abordamos a NR-7, que trata das ações de saúde ocupacional nos ambientes de trabalho, realizadas pelo Médico do Trabalho. Responsável pelos exames admissionais, periódicos e demissionais, o Médico deve tambem desenvolver ações em relação a agentes de risco, como o ruído. Ao abrir a NR aparece o menu de titulos com uma barra de rolagem. Clicamos no título referente ao Anexo I do Quadro II, abordando as diretrizes e parâmetros minimos para avaliação e acompanhamento da capacidade auditiva dos trabalhadores. Neste exemplo aparece uma parte do texto sobre o assunto. Entre no site e na pasta de NRs para acessar todo o conteúdo deste Anexo.

 

Agora, abordaremos a NR-9 que orienta e elaboração de um Projeto com diversas etapas que contemplem uma correta abordagem dos riscos nos ambientes de trabalho e de medidas para a prevenção desses riscos. Essas ações são coordenadas por técnicos especializados (Engenheiro de Segurança e Técnico de Segurança do Trabalho) para que em conjunto com os trabalhadores possam desenvolver intervenções que garantam a melhor qualidade do trabalho. Da mesma forma como em relação a NR-7, ao abrirmos a NR vamos encontrar um menu de títulos:


Dentre os diversos títulos de assuntos da NR-9 escolhemos o MONITORAMENTO, que recomenda a avaliação sistemática e repetitiva da exposição a um dado risco, como o ruído, visando à introdução ou modificação as medidas de controle, sempre que necessário. 

 

E finalmente uma das NRs ligadas ao ruído, visto que este agente pode se tornar insalubre e desenvolver doença ocupacional (perda auditiva). Abaixo, um infograma onde há um destaque para a NR-15. Ao acessarmos o remissivo, destacamos o item ELIMINAÇÃO OU NEUTRALIZAÇÃO, de um risco. O ruido insalubre pode acarretar à empresa o pagamento de um adicional de insalubridade que cessará com a sua eliminação ou neutralização. Acesse a NR-15 no site para acessar pelo Remissivo todo o conteúdo desta NR.



Autor do texto original:

James Tingay ( O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ) é Gerente de Qualidade. 

Possui Honra ao Mérito em Eletroacústica pela Universidade de Salford (Inglaterra)

com experiência na área de mais de 20 anos em Gerenciamento e Treinamento

 

Não se esqueça que no espaço aberto, cada vez que a distância entre a fonte de ruído e o trabalhador dobra, o nível de ruído é reduzido em 6dB!
Lido 1825 vezes Última modificação em Quinta, 08 Junho 2017 03:30
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6 comentários

  • Link do comentário fabio kaiser tst Sábado, 17 Junho 2017 20:50 postado por fabio kaiser tst

    perfeito

  • Link do comentário TST jr. Terça, 13 Junho 2017 11:15 postado por TST jr.

    Muito bom artigo, bem elucidativo. O primeiro passo que todo empregador deve tomar em relação aos cuidados com ruídos no ambiente de trabalho é medir, periodicamente, a produção desses distúrbios sonoros nos locais onde seus funcionários trabalham por um longo período de tempo. Agradeço por compartilhar novos fundamentos conosco e agregar conhecimento ao profissional da área. Parabéns ao autor e ao site, sempre leio as matérias de vcs.

  • Link do comentário Ion Sampaio Andrade Segunda, 12 Junho 2017 16:09 postado por Ion Sampaio Andrade

    Boa tarde, que quiser fazer uma simulação de enquadramento do ruído, entre no site http://ruido.000webhostapp.com/index.php, e faça a simulação. Todas as previsões legais estão previstas.

  • Link do comentário edson viana Segunda, 12 Junho 2017 16:07 postado por edson viana

    Boa Tarde!!!

    gostaria de participar dos grupos do zap de vcs (48) 91712-4514

    Édson Viana - TST

    Grato

  • Link do comentário Sílvio Damasceno Domingo, 11 Junho 2017 23:33 postado por Sílvio Damasceno

    Parabéns pelo artigo e obrigado por compartilhar

  • Link do comentário augusto nr16 Domingo, 11 Junho 2017 12:02 postado por augusto nr16

    bom dia

    muito bom e esclarecedor artigo, parabéns aos autores.

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