AVALIAÇÃO DE RISCOS: O VALOR DO TRABALHADOR COMO UM BEM

Sábado, 02 Maio 2015 17:23
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 Esta Semana encerra-se com com duas datas importantes: o Dia Mundial da Segurança no Trabalho (28/04) e o Dia do Trabalho (01/05/2015). Este Post é uma tradução de artigo publicado na Revista OHS resumindo as costumeiras reflexões em relação a essas datas. O autor aborda de que forma podemos avaliar o valor real de trabalhadores na empresa considerados como um bem, a exemplo de outros bens do patrimônio da empresa. Ele chama essa abordagem de Gerenciamento de Risco do Capital Humano e menciona um dos referenciais mais antigos do ponto de vista empresarial, para calcular o custo real do acidente do trabalho (O índice de Heinrich). Tradução: Prof. Samuel Gueiros

 

O valor real de trabalhadores na empresa considerados como um bem
não podem ser avaliados de forma simples.

 

Thomas F Heim

Entender o valor dos trabalhadores como um bem e não como uma despesa é essencial no desenvolvimento e implementação de uma estrutura de gerenciamento do capital humano. Ou seja, proteger e melhorar uma classe de bem produtivo chamada EMPREGADO ou TRABALHADOR. Ao contrário da Gestão de Riscos em SST, o Gerenciamento de Risco na área empresarial visa proteger os bens da empresa e de seus acionistas, melhorar e aumentar o fluxo de caixa e salvaguardar os documentos legais. O foco tradicional tem sido proteger os bens da corporação (como a propriedade, o produto e a marca), dos riscos de incêndio, inundação, tornados, terremotos, defeitos de fábrica, negligência profissional e a eficiência da fabricação. 

Atualmente, a teoria do moderno gerenciamento de risco empresarial está focado em substituir uma metodologia específica de processos centrados na fábrica, unidade ou equipe, para uma visão que envolva toda a empresa. Essa estratégia ampla, seja de uma visão de cima pra baixo, seja de baixo pra cima, busca definir, identificar, quantificar, medir, reduzir e gerenciar os riscos que podem impactar os bens e os acionistas. 

Deixar de reconhecer, identificar e tratar o capital humano como um bem digno de proteção é uma das maiores falhas

 

Bens são recursos controlados por uma organização dos quais espera-se que os benefícios econômicos possam fluir para a empresa. A função primordial de um bem, seja usado de forma individual ou em combinação com outros bens, é gerar um fluxo de caixa atual e futuro que possa atender as necessidades da organização e de seus acionistas.

Conforme esta visão, as principais classes de bens fundamentais para a existência do valor organizacional são os valores concretos, como as finanças e outros abstratos, que incluem o capital humano, ou empregados, trabalhadores. 

 

Ao contrário de outros bens, o capital humano geralmente é negligenciado como parte dos amplos programas convencionais de gerenciamento de riscos empresariais os quais tradicionalmente visam os bens físicos da corporação. Mas sem dúvida, o pessoal representa potencialmente o maior bem para a empresa.

 novos e antigos empregados representam a maior responsabilidade isolada
              que uma organização enfrenta para conduzir seus negócios


Enquanto existem outros bens abstratos, o capital humano é o único bem intangível que pode ser influenciado, mas nunca completamente controlado. É um bem que pode ser investido de forma inteligente ou desperdiçado impensadamente e ainda ter um valor significativo. Essas características distintas também fazem do capital humano um bem único e difícil de alcançar.

Empregados considerados como um bem são controlados pelos empregadores e disponibilizam um certo nível de benefício que flui para a empresa, seja por eles mesmos ou em combinação com outros bens gerando fluxo de caixa corrente e futuro. Eles promovem serviços ou produzem bens ou produtos que geram lucro para os acionistas organizacionais. 

 

O pensamento comum dizendo que os “empregados
são o nosso maior bem
” é geralmente um exagero

 

Esse pensamento é de pouco conteúdo assim como tudo muito freqüente na realidade dos negócios, e assim o valor produtivo do bem representado pelos empregados é artificialmente superestimado em relação a um segundo plano relacionado a  produção, despesa, suprimentos e demandas.

A metodologia relacionada à Gestão de Risco do Capital Humano busca combinar e ampliar as definições, metas, objetivos e medidas do programa corporativo de gerenciamento de risco com as oportunidades, riscos e ameaças enfrentadas por recursos humanos. De forma complementar esta metodologia busca criar melhorias palpáveis para a empresa ao lado da segurança, saúde e bem estar dos empregados, enquanto adiciona um nível significativo de benefício econômico para as empresas. 

 

 

Gerenciamento de Risco do Capital Humano esforça-se por definir, identificar, avaliar e gerenciar riscos que possam impactar a performance dos empregados e assim reduzir e evitar esses riscos a fim de que eles possam cumprir seu papel na missão corporativa.

Determinar o valor dos bens concretos ou abstratos na maioria das vezes é relativamente simples.

Entretanto, avaliar os empregados do ponto de vista de sua perda é muito mais complicado, devido aos seguintes fatores-chave:


O valor do capital humano como um bem está intimamente ligado a medidas de produtividade e lucratividade em termos de tempo (produção por jornada) e do resultado de bens e serviços. Na ausência de empregados ou quando a utilização dos empregados é limitada, o seu valor como um tipo de bem é reduzido em vista da incapacidade de criar fluxo de caixa no nível que se esperava a fim de atingir um certo retorno financeiro.

O valor de um bem representado pelo trabalhador pode decrescer,
seja temporária ou permanentemente baseada na severidade de um evento que resulte em uma perda relacionada ao
ambiente do trabalho ou ao trabalho em si


Tipicamente, o custo dessas perdas podem ser agrupadas em 3 categorias: DIRETA, INDIRETA ou HUMANA. Não há um consenso sobre o que compreende cada categoria. 


De maneira geral, os custos diretos consistem em componentes relacionados ao tratamento ou reparação da lesão, como custos médicos. Dados de custos diretos são bem fáceis de serem obtidos e não requerem a utilização de métodos de avaliação.

Custos indiretos relacionam-se à perda de oportunidades para o empregado lesionado, para o empregador, colaboradores e a comunidade. Esses custos relacionam-se principalmente ao salário, despesas administrativas e perdas na produtividade. Comparado com os custos diretos, os custos indiretos são geralmente mais difíceis de medir e raramente podem ser garantidos por um seguro.

Custos humanos relacionam-se ao valor da mudança e da qualidade de vida do trabalhador e das pessoas ao redor dele ou dela, quando ocorre uma lesão. Enquanto os custos diretos e indiretos podem ser quantificados, calcular o custo humano resulta em um exercício socioeconômico. Custos humanos incluem uma ampla categoria do que é chamado custos ocultos. Estes custos incluem custos reais e abstratos de acidentes e doenças do trabalho que não podem ser valorizados em termos monetários e incluem a moral do pessoal, horas extras, horas paradas, imagem corporativa e relações com os usuários. 

 

Historicamente o meio mais simples e fácil de medir os custos de um acidente relacionado à produtividade é multiplicar os custos diretos por um fator (4, de Heinrich). Isto quer dizer que para cada 1 real gasto em despesas diretas, há um custo de 4 reais em despesas indiretas


Se o acidente envolver um custo financeiro de 1.000 reais para o trabalhador, haverá outros 4.000 reais de custos indiretos. O custo da produtividade e do lucro pode ser medido adicionando mais 5.000 reais para determinar o custo real para a empresa. Essa teoria foi introduzida em 1939 e atualizada em 1959. E ao longo dos próximos 30 anos, esta teoria persistirá como predominante.

Resultados mostraram que não há uma solução mágica quando calcula-se um empregado como um bem. O valor verdadeiro de um bem como o empregado não pode ser simplista.

Estudos em vários países tem mostrado resultados que variam baseado no seguinte:

 

 

 

GERENCIAMENTO DO RISCO DO TRABALHO

 

Os processos de gerenciamento de risco, incluindo o Gerenciamento de Risco Empresarial tem focado tradicionalmente muito mais em esforços para definir, identificar, quantificar, medir, reduzir e otimizar os riscos e ameaças enfrentados pela organização. Um exemplo de áreas de risco significativo que muitas organizações enfrentam, controlam e tentam reduzir pode ser visto na Figura do início deste post e mais adiante.

Enquanto o gerenciamento de risco empresarial tem sido empregado para proteger e melhorar os bens da empresa, o gerenciamento e redução de um das maiores exposições, que é o risco do chamado "capital humano", está realmente fora de seu alcance, criando um paradoxo.

É preciso expandir o tradicional gerenciamento da saúde, bem estar e cuidados médicos dos empregados para um gerenciamento formalizado de risco do capital humano. Isso se tornará crítico para o sucesso de qualquer programa de gerenciamento de risco empresarial. O sucesso deste Programa vai requerer um ambiente de comunicação e colaboração.

Há necessidade de uma plataforma comum de objetivos, metas e objetivos bem estabelecidos, consistindo de definições, escalas, processos, papéis e responsabilidades envolvendo e cruzando todas as áreas da organização.

Gerenciamento de Risco do Capital Humano não pode ser focado somente nos riscos que surgem no curso do contrato. O capital humano enfrenta exposições 24 horas por dia, sete dias da semana: em casa, no trajeto, praticando esportes e trabalhando. Um incidente que ocorre fora do trabalho pode ser justamente como provável resultado da mesma perda, direta ou indireta, da mesma forma como ocorre no trabalho. Reduzir e gerenciar essas exposições requer um plano de ação coordenado que proteja os empregados como um capital corporativo.

Organizações precisam estar preparadas para deixar de lado nichos de cuidados de saúde e segurança no trabalho e implementar um maior diálogo envolvendo o gerenciamento tradicional de saúde e segurança e o de recursos humanos, em uma estrutura integrada de gerenciamento de risco do capital humano. Com isso as organizações estarão preparadas para gerenciar o stress financeiro que resulta da obesidade, diabetes, hipertensão, fumo, doenças cardíacas, envelhecimento e outras que influenciam a vida da empresa e dos acionistas.

Falhar em agir agora pode impactar não somente empregados mas a empresa como um todo relativamente à produtividade, resultados e performance.  

 

AVALIAÇÃO DO RISCO DO CAPITAL HUMANO E SEUS CUSTOS


  

Uma variedade de perigos, riscos, ameaças e vulnerabilidades podem reduzir a efetividade ou o valor de um bem (incluindo pessoas) em parte ou no todo. Vários modelos podem ser utilizados para avaliar o impacto que um perigo exerce em um determinado bem sob risco.

 

Uma ferramenta de avaliação é a análise de impacto obtida pela medida de sua probabilidade e magnitude (severidade) relativamente à vulnerabilidade de um bem particular sob risco (veja a figura acima, que está também no início deste post). O resultado é o custo financeiro do risco sobre um bem. Observe que o item PESSOAS está no topo da lista.

 

 

O real valor de uma estimativa econômica é influenciada pelas convicções de executivos na área de política e de decisão na sua linguagem financeira. Para um máximo de efetividade, uma estimativa econômica deve ser uma atividade conjunta com todos os acionistas. É preciso desenvolver também uma estimativa econômica e demonstrar uma visão realista dos custos totais de acidentes e os benefícios da sua prevenção.

Quando se constrói uma avaliação econômica, uma palavra de cautela é imprescindível: resultados podem ser largamente influenciados por convicções. As partes devem colaborar para assegurar que o que está sendo avaliado e demonstrado é o que realmente foi objetivado.

Existem dois tipos de avaliação predominantes:

  •  uma avaliação de custos de um simples acidente ou do total de acidentes em um determinado período.

  • uma avaliação de efeitos econômicos de ações preventivas (análise de custo/benefício). Este tipo de estimativa é geralmente utilizada para avaliar a viabilidade de um investimento ou para escolher entre alternativas.


Uma avaliação de risco econômica dos empregados não deve ser excessivamente complexa, mas estruturada para atender às necessidades da organização e dos objetivos da equipe. Se não puder ser explicada de forma fácil e inteligível, o projeto sofrerá desgaste, mesmo se a qualidade e detalhamento de seus dados seja perfeito.

 

Thomas F Heim

é Executivo comercial em uma Companhia de Seguros

VEJA O ARTIGO ORIGINAL

Tradução:

 

Lido 3140 vezes Última modificação em Segunda, 04 Maio 2015 18:53

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